a tempo, fofa contribuição do honey baby inagaki:
mundo, vasto mundo
se eu me chamasse Van Damme
seria um ator vagabundo
e uma rima muito infame.
***
só entende quem namora:
PEQUENA HISTORIETA ESTUDANTILera briluz, mas as lesmolisas ainda não estavam touvas. linda, lindíssima quinta-feira, véspera de feriado de 21 de abril, data duvidosamente comemorativa, mas sem dúvida muito esperada, já que feriado. feriado-do-do! fe-ri-a-do: pode significar muitas coisas. pode significar uma magnífica viagem-surpresa; duas lindas bala-baladas na seqüência; uma linda balada enorme, que se prolongue por uma noite e um dia, como uma rave, por exemplo; com menos dinheiro e não menos entusiasmo, alguns filmes alugados na century e umas garrafa de vinho, em bando; com menos dinheiro ainda, fica-se em casa comendo miojo ou bebendo pra esquecer a fome, ou bebendo simplesmente porque ficar bêbado com fome é mais legal do que ficar com fome e careta. e evidentemente, nada de filmes, baladas, no máximo a peça da eca, na sexta à noite, o filme do cinusp, quase sempre bacaninha. paciÊncia. as coisas legais exigem dinheiro e dinhEEEiro mEsmo, você não tem.
mas de vez em quando, é claro, temos dinheiro: freela, bolsa de iniciação científica, bolsa-trabalho, bolsa-reitoria, bolsa-mestrado, bolsa-empresa-metida-a-legal, ajuda de parentes, salário, aulas-dadas, isso tudo dá dinheiro: pena que só uma vez por mês. e neste final de semana, todos tinham dinheiro: ó glória - pirar junto é melhor que pirar sozinho. mAAs: estamos no meio do semestre e temos a linda oportunidade de colocar a vida em dia no final de semana: limpar a casa, lavar um pouco de roupa, ler todos os textos, fazer todos os trabalhos pendentes, estudar para todos os cursos de língua. enfim: "pagar o aluguel", como costumamos dizer brincando, brincadeira sombria. se não cumprir créditos, você é gentilmente convidado pela segurança do prédio a se retirar da moradia estudantil. pagamos o aluguel estudando : o resto, o pão de cada dia, e o relax de cada fim de semana, ganha-se.
por isso, é com prazer que vos apresento mais uma versão da mesma história: alguém prometer a si mesmo que vai passar o fim de semana prolongado estudando e não cumprir, esbaldando-se na balada. seria mais fácil de estudar se não tivéssemos dinheiro. mas temos. ter dinheiro significa sair de casa. sair de dentro da ilha encantada, cercada de grama e quero-quero por todos os lados.
o fim de semana é esperado. vem como vai: inevitavelmente. e inevitavelmente, chega o fim: o fim do fim-de-semana. a hora que as letrinhas do fantástico sobem, ainda bem que não tenho televisão. o trabalho. o trabalho para amanhã. a esta hora, ainda é possível iniciar aquele trabalho. aquele trabalho, que você tinha pra entregar na segunda à noite. segunda é amanhã. o trabalho é curto, umas duas páginas. dá pra começar o trabalho uma hora antes da aula. anote aí na sua agenda mental. e vá dormir, cansadinha do fim-de-semana ótimo, apesar da roupa suja transbordando do cesto e a louça toda na pia. bem, amanhã será outro dia.
e é uma semana que começa com surpresas ótimas: segunda-feira, indo para a aula da manhã, encontro uma colega que é da aula da noite. cumprimento, falamos do tal trabalho, assunto inevitável porque único em comum. e aí, neste exato momento que eu estou indo pra aula até orgulhosa por ter conseguido ler o texto antes, a colega me informa que o trabalho, na verdade, são dois: um de duas páginas, como esperado, e outro de QUINZE, mais ou menos. arregalo os maiores olhos do mundo, como assim? a garota me tranqüiliza, explicando no que consiste o tal trabalho: percebo que é algo que eu talvez consiga fazer a tempo de entregar hoje ainda, e talvez dê até pra almoçar. vou pra aula da manhã apreensiva, mas não em pânico, acho que já estive em situações piores. por não estar nem muito desesperada nem muito tranqüila, estou só de mau-humor: não esperava ter que passar a tarde assim. tenho outras coisas pra fazer.
almocei depois da aula e passei a tarde escrevendo o rascunho do trabalho. percebi que não daria tempo de digitar, mas era melhor fazer alguma coisa. pelo menos entregar as anotações, que de propósito fiz bem organizadas. o outro trabalho de duas páginas foi feito em meia hora. o outro, em compensação, foi escrito ao longo da tarde e do início da noite. terminei o trabalho, e cheguei no final da aula para entregar.
digamos que meu professor não seja a pessoa mais bem humorada deste mundo. eu sei disso, por isso, quando entrei na sala olhei bem nos olhos dele e abri um sorriso enorme: desarmado, ele sorriu também. mostrei pra ele tudo que tinha feito, mas ele não quis os manuscritos, e pediu que eu digitasse o trabalho e entregasse amanhã sem falta no escaninho dele. prometi que sim e sorri de novo, mas muito puta da vida porque teria que passar a noite digitando trabalho. saí de lá aliviada. mas ainda de mau-humor.
cheguei em casa, liguei o computador, resmungando. sentei e comecei a digitar, levei mais de duas horas digitando! que saco. ao me ver resmungando e com as sombrancelhas franzidas, o meu co-morador:
- que foi.
- esse saco de trabalho.
- sorte sua de ele ter deixado entregar amanhã.
- é mesmo. mas digitar é podre.
- mas não fique de bode... olha.
me mostrou um pote de plástico cheio de corações alaranjados.
- quer comer um doce? ajuda a levantar o astral.
peguei um, cortei no meio e e pus na boca. ele pegou a outra metade e comeu também.
funcionou mesmo: em meia hora, estávamos dando risada da situação e planejando aproveitar o resto da noite com outra coisa mais legal, tipo ver filme no vizinho, andar. quando bateram em casa mais dois amigos, que tinham vindo nos visitar pois tinham chegado de uma saidinha perto e sabiam que geralmente dormimos tarde. oferecemos doces pra eles. e depois resolvemos que iríamos sair. SAÍMOS!
SaímosFomosnapraçadoRelÓgiodeitamosnagramaVoltaaamos---ouvimosmúsicaouvimosmúú muitamúsicacaminhamospelasavenidasvimosasPatasdosCavalosDescendoaEscadaEgritamos
VIVUARTISTAAA!fomosatéapraçapanamericanaecompramosViiinhoPãeziiinhosRequeijãããoe PatêdeazeitonasVoltamospracaaasaEouvimosmaAaismúsicaeentãoEupegueimeuTrabalhopus numSaquinhoepediprosmeusamigosVamosVamosVamosVamoslánafaculdadecomigo-go-goEeles perguntaramAZEReurespondiEntregartrabalhoEelesresponderamVAMOSefomosJáeramquase oito-OITO!-damanhãChegandoláeuvioescaninhodeledelooonge:JOGUEIotrabalhoquefoiVoando voandoecaiudi-rei-ti-nhodentrodaCaixinhadoProfessor-fessor-essor-ssor-sor-or-r-r-r---.....
(O professor chegou às oito e meia e conferiu seu escaninho. Encontrou um trabalho dentro de um saquinho. Elogiou mentalmente a pontualidade da aluna. Folheou o trabalho e quem o viu, diria que ficou impressionado, mas deixou transparecer mui brandamente).